Oficina de autocompaixão em Brasília | 2019

espelho

Nos tempos de hoje, amar (se) é um ato revolucionário.

A cultura em que vivemos hoje não nos incentiva a acolher e a cuidar da nossa humanidade; ao contrário, somos incentivadas a nos esforçar para reforçar alguma identidade (de preferência, bem-sucedida). Não é por acaso que tanto tem se falado hoje sobre depressão e adoecimento mental. Precisamos, mais do que nunca, resgatar os valores fundamentais que nos torna verdadeiramente humanos, e um desses valores mais importantes é a compaixão – a aspiração de cuidar de si e dos outros em momentos difíceis. Mas, para cultivar a compaixão com o outro e com o mundo, é preciso cultivar a compaixão consigo. Afinal, como podemos oferecer algo que não reconhecemos que temos?

Quando não cultivamos a autocompaixão:

  • somos duras e rígidas conosco;
  • temos dificuldade em aceitar nossos erros, e nos culpamos por eles;
  • nos cobramos para sermos perfeitas com frequência, e nos desapontamos com as expectativas tão altas que criamos;
  • achamos que não estamos suficientemente prontas quando somos reconhecidas, pois temos dificuldade de aceitar que já merecemos a felicidade e o reconhecimento nesse exato momento;
  • nos julgamos pelos nossos pensamentos e emoções não prazerosos, e os reprimimos;
  • suportamos por muito tempo situações que não nos fazem bem por acharmos que não merecemos algo melhor;
  • nos sobrecarregamos de coisas, deveres, cobranças;
  • perseguimos e projetamos nos outros nossas necessidades não atendidas de cuidado, valorização e aceitação;
  • temos dificuldade de expor as nossas fragilidades e vulnerabilidades;
  • achamos que temos algum problema quando não cumprimos com qualquer um dos itens do “roteiro de felicidade” (como casar e ter filhos, ou ter um emprego, por ex);
  • nos achamos estranhas, inadequadas, pois nos sentimos pressionadas a sermos uma outra pessoa.

A autocompaixão possibilita resgatar uma aceitação incondicional com o que quer que se apresente na nossa vida para que possamos nos conectar com os nossos valores fundamentais. A partir de um olhar atento e de uma disposição de cuidado, podemos escutar as nossas necessidades e nos mover a partir do que tenha sentido para a nossa vida, sem precisar atender a uma expectativa externa para nos sentirmos bem conosco. Através dessa aceitação, inclusive da necessidade de transformação, podemos perceber que o que nos faz sofrer se encontra no universo de muitas pessoas. Do mesmo modo, percebemos as nossas potencialidades e as reconhecemos nas outras pessoas. Não precisamos ter algo ou ser alguém para sermos nossas boas amigas, da mesma forma como fazemos com os nossos melhores amigos. Quando cultivamos a compaixão com a gente, é inevitável que tenhamos mais recursos para cuidar das pessoas ao nosso redor, especialmente porque passamos a ampliar a noção de felicidade individual para um bem-estar que é totalmente interconectado com o bem-estar dos seres.

A boa notícia é que a autocompaixão é uma habilidade que pode ser treinada. É o que tem sido demonstrado pela pesquisadora e psicóloga Kristin Neff, da Universidade do Texas. Neff tem mostrado através de diversos estudos que cultivar a autocompaixão possibilita uma série de benefícios, como:

  • redução dos sintomas de estresse e depressão, assim como outros sintomas de adoecimento mental; aumento da liberação do hormônio de ocitocina no corpo, responsável pelo prazer e pelas emoções prazerosas;
  • diminuição da autocrítica e da sensação de isolamento;
  • aumento da conexão entre as pessoas; e, principalmente, aumento de comportamentos pró-sociais, como a compaixão e a empatia.

Em uma cultura que favorece a competição a qualquer custo, cultivar a autocompaixão tem se mostrado como um dos caminhos para superar a sensação de baixa autoestima e de isolamento, infelizmente, cada vez mais crescente nos dias de hoje.

O que esperar da oficina

  • compreender o que é autocompaixão na vida diária;
  • aprender exercícios e práticas para cultivar mais gentileza consigo e com as pessoas;
  • compreender como lidar com as emoções difíceis e com a autocrítica;
  • conectar-se com os seus valores fundamentais;
  • praticar a arte da apreciação.

Este curso é projetado para pessoas do público em geral.

Quando

7 de setembro, das 10h às 18h, e 8 de setembro, das 9h às 12h.

Onde

SHIGS 705, Bloco F, casa 68. Asa Sul. Brasília-DF

Inscrições

R$150,00.

Inscreva-se clicando aqui.

Para mais informações, envie um email para magalhaes.marcela@gmail.com.

Quem vai oferecer

Caroline Bertolino – Autora do blog. Mestre pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. É professora do programa Mindful Self-Compassion pela Universidade de San Diego, California, desde 2015. Em 2013, tornou-se professora do programa Cultivating Emotional Balance pelo Instituto de Santa Barbara (EUA). Tem formação em Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos e pós-graduação em Arteterapia pelo NAPE. Realizou o curso Comunicação Não-violenta, com Sven Fröelich, em Nazaré Uniluz. Também é habilitada pelo Instituto Social Pichon-Riviére para desenvolvimento e coordenação de grupos, e em Círculos de Paz pela AJURIS. Atua nas esferas institucional e educacional para a promoção da saúde mental individual e coletiva.