Como a autocompaixão pode ajudar você a curar a crítica interna

Texto original no Psych Central. Por Mari  Konaven. Tradução livre de Silton Silva.

self-critic

Todos nós falamos conosco mesmos continuamente. A maior parte desse autodiálogo não está nem mesmo em nossa consciência, mas impacta em nossos sentimentos, pensamentos e ações; reflete o que pensamos sobre nós mesmos. Nesta publicação, a escritora convidada Dra. Mari Kovanen explica como você pode usar a autocompaixão para mudar seu autodiálogo negativo, curar sua crítica interior, e por fim, criar um caminho para uma autoimagem mais saudável e relacionamentos mais fortes.

 

O que sua crítica interior está dizendo?

“Eu sou muito gordo. Eu sou muito alto. Eu não sou inteligente o suficiente. Eu sou sério demais. Eu não estou ganhando dinheiro suficiente”. E a lista continua…

Quais são as mensagens que você diz para si mesmo diariamente? Esses tipos de declarações autocríticas podem ser prejudiciais para o seu próprio bem estar. Eles te colocam para baixo efazem você se sentir pequeno, como se você não fosse nem mesmo bom o suficiente para existir. Eles, provavelmente, contribuem para a sua ansiedade e depressão, ou talvez eles possam fazer você se comportar de tal maneira da qual você poderá se arrepender mais tarde.

Esta publicação é sobre a cura da sua autocrítica através da autocompaixão, entendendo a autocompaixão, o que ela é e o que ela não é, e como a autocompaixão pode começar a mudar o seu relacionamento consigo mesmo.

A maneira como nós tratamos nós mesmos é frequentemente o resultado de como nós fomos tratados por outras pessoas no passado.

Para pôr fim ao nosso autodiálogo negativo, nós devemos entender de onde a nossa crítica interior vem. Através das interações com seus pais e com cuidadores em sua infância, você desenvolve seu senso sobre si mesmo e o seu autovalor. Talvez alguns adultos significativos em sua vida repetiram certas afirmações ou comunicaram-se de maneira que lhe fez sentir envergonhado, como se você não fosse bom o suficiente. Freqüentemente, isso é devido a falta de autoconsciência da parte deles.

Por outro lado, observando seus pais sendo continuamente autocríticos ou vivendo em um meio desagradável pode também contribuir para o desenvolvimento de uma autocrítica punitiva. Crianças raciocinam pensando “Eu me sinto mal, isso deve significar que eu sou ruim” e elas atribuem qualquer acontecimento negativo a si mesmas. Estes sentimentos freqüentemente permanecem até a idade adulta, a menos que haja experiências corretivas.

Se você carrega uma vergonha tóxica, você pode acabar tentando controlá-la através de autoexigências e sendo uma pessoa perfeccionista, por exemplo. Isso pode te trazer reconhecimento na escola ou no trabalho, mas pode te levar a um sentimento de exaustão, ansiedade e até depressão ao longo do tempo. Repetir afirmações autocríticas enquanto adulto é repetir a experiência da vergonha que você teve enquanto mais jovem, isto é, realimentar a vergonha. Você pode se sentir preso e continuar criticando-se por não alcançar suas expectativas e exigências irreais.

Exercício.

Reflita sobre a origem de sua autocrítica. Ouça as afirmações que você repete para si mesmo, talvez seja melhor escrevê-las, e tente identificar de onde elas se originam. Em seguida, se você identificar, por exemplo, a pessoa que costumava te criticar, localize onde você está carregando esta afirmação em seu corpo e perceba qual é a sensação. Coloque sua mão nessa parte do corpo. Agora, imagine você mesmo retirando esta crítica do seu corpo e devolvendo para a pessoa que a causou; isto pertence a ela, e não a você. Observe qual a sensação ao devolver a afirmação crítica.

 

O que é autocompaixão e como ela pode curar sua crítica interior?

De acordo com a Ph.D. Kristin Neff, autocompaixão é formada por três conceitos:

Bondade.

Tornar-se o melhor amigo para si mesmo, sendo compreensivo e amável consigo mesmo quando houver dificuldades. Trata-se de compreender que ser imperfeito, cometer erros e passar por dificuldades faz parte do nosso dia-a-dia na vida. Portanto, trata-se de mostrar tolerância e bondade consigo mesmo quando surgirem as adversidades ao invés de criticar-se.

Dica: Como um amigo acolhedor te confortaria ao saber de suas dificuldades na vida?

 

Humanidade comum.

Autocompaixão inclui uma noção de que sofrer e ter dificuldades fazem parte da natureza do ser humano. Nenhum de nós está sozinho em sua luta, porque pode haver pessoas próximas tendo dificuldades semelhantes. Por isso, autocompaixão é sobre enxergar seu sofrimento como uma experiência universal.

 

Atenção Plena.

Muitos estudos de pesquisa têm sugerido que estar consciente de seus sentimentos e experiências físicas (emoções que são experimentadas no corpo) é benéfico para o seu próprio bem estar. Autocompaixão inclui ser curioso e reconhecer suas emoções, pois elas são importantes mensagens sobre o seu estado de bem-estar e como suas necessidades estão sendo atendidas. Um importante aspecto sobre estar ciente de seus sentimentos significa simplesmente percebê-los sem julgamento ou tentativa de alterá-los.

Dica: Desenvolva afirmações incentivadoras que você pode repetir para si mesmo quando tiver começado a se criticar. Por exemplo, “Está tudo bem se sentir X, quando eu passar pela experiência Y”.

Quando você pratica a autocompaixão, ela tira o poder da autocrítica. Isso é um processo e pode levar algum tempo para interiorizar a mensagem da autocompaixão completamente, mas seja paciente consigo mesmo.

 

Mitos sobre autocompaixão

Existem muitas suposições sobre autocompaixão que podem desanimá-lo de praticá-la. Você pode ter crenças como:

“Eu me tornarei egoísta e não considerarei os outros”.

Autocompaixão não é sobre tornar-se uma pessoa autocentrada, mas, sim reconhecendo “Eu sou igual aos outros e eu mereço sertratado com gentileza”.

“Se eu for autocompassivo, eu me tornarei preguiçoso”.

A Dra. Kristin Neff argumenta que autocompaixão permite que você seja motivado de uma maneira positiva ao invés de usar a autocrítica punitiva como forma de se conduzir a resultados. Além disso, quando você é gentil consigo mesmo, você foca toda sua energia em direção aos seus objetivos em vez de desperdiçá-la com a autocrítica. Conduzir-se em direção a objetivos impossíveis e  autocrítica éexaustivo.

“Eu ficarei preso na autopiedade”.

A Dra. Kristin Neff sugere que a autocompaixão não é sobre mergulhar em nossas dificuldades, mas aceitar que elas são parte de nossas vidas. Portanto, pessoas autocompassivas estão comprometidas a terem vidas mais felizes.

 

Autocompaixão transforma a vergonha

Praticar a autocompaixão pode mudar o seu mundo. Quando você é gentil consigo mesmo ao invés de autocrítico, seu mundo torna-se muito mais agradável e prazeroso. Então você pode começar a florescer não apenas pessoalmente, mas também em seus relacionamentos, como você não é muito exigente de si mesmo, talvez não seja em relação aos outros. A autocompaixão te encoraja a conhecer os aspectos mais desagradáveis de si mesmo e isso criará uma existência mais pacífica, pois o que quer que você tenha experienciado como vergonhoso será tratado com curiosidade e gentileza.

Dra. Mari Kovanen é uma conselheira psicóloga registrada em atendimento particular em Londres.

 

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